03 abril 2008

CANDICE - capítulo 10

Leia os capítulos anteriores – A distância até a ilha não era muito grande, mas quem já nadou no mar sabe que é bem diferente do que fazê-lo numa piscina. A água é mais densa e constantemente perdemos a direção. Existe também, aquele sentimento desagradável de sermos uma isca totalmente desprotegida e sem nenhuma zona de proteção ou escape no caso de alguma criatura sinistra aparecer. Foi exatamente isso que aconteceu quando eu me encontrava no meio do caminho entre a ilha e o continente.

Eu nadava bem relaxado, economizando energia, de olhos fechados por causa do sal e do sol. Entre algumas braçadas abria-os para acertar o meu rumo. Quando levantei o braço e tirei a cabeça lateralmente para fora da água, pude ver ao meu lado, há poucos metros, uma enorme mandíbula emergir, mastigando uma tainha de uns 10 kg. O olhar parado da criatura alinhou-se com meu e uma descarga gelada percorreu a minha coluna e invadiu o meu corpo. Meu coração disparou e o pânico tomou conta da minha alma. Foi quase inevitável assumir espontaneamente o papel de presa ou de isca e imediatamente parei de nadar e comecei a debater-me.
A criatura alinhou o dorso no nível da água e ficou dando voltas em mim.
Acima da superfície, aquela sugestiva barbatana, arquétipo da morte certa, com muita dor e pavor, completava o meu desespero. O bicho imergiu desaparecendo da minha visão. Não sou religioso, mas também não sou ateu. Imediatamente comecei a rezar prevendo o meu trágico desaparecimento. Imagens desconexas da minha vida invadiram a minha cabeça. Meu corpo adrenalizado, debatia-se, enquanto eu tentava pedir para alguma entidade superior que o meu fim fosse breve.

CHUUUUUHHHAAAAA!!! CLACK! CLACK! A mandíbula surgiu novamente mais distante, com outro peixe entre os dentes.
– Acho que a coisa não é comigo! Pensei em um segundo, lembrando dos exercícios de pranayama que eu havia aprendido nas aulas de Ashtanga.
- Tenho que me acalmar! falava pra mim, enquanto eu tomava consciência de que estava no meio de um cardume de tainhas. Imediatamente comecei a controlar a minha respiração, enquanto observava os movimentos do tubarão. Fui me acalmando, comecei a nadar lentamente, para fora da sua área de alimentação, com todo o cuidado, tentando não fazer barulho na água. Continua...

Um comentário:

Anônimo disse...

Sinistroo! hahaha