19 setembro 2008

CANDICE - capítulo 25 - final

leia toda a história- Putz, não acredito! Coloquei as mãos para cima devagar e fui me virando lentamente. Por entre as venezianas semi-abertas da janela lateral, a luz vermelha do nascer do sol me revelou uma figura de mulher. Encharcada, com um vestido branco grudado no corpo, segurava com as duas mãos uma arma apontada na minha direção. O tempo parou!
Nenhum ruído, até o mar silenciou. Pude então ver o seu rosto, ao mesmo tempo em que ela me encarava. Com espanto, nossos olhares se cruzaram. Ficamos ambos calados por um tempo sem acreditar na situação. Sem conseguir imaginar que aquilo fosse possível. TUC, TUC, TUC... As mangas do seu vestido começaram a gotejar quebrando o silêncio.

O tempo voltou a avançar. Com os olhos fixos nos meus, ela foi baixando os braços lentamente e pude ouvir o gatilho ser desarmado. Seus olhos ficaram úmidos, talvez porque tenha sido tomada pelas mesmas lembranças que eu...
Ela deu dois passos na minha direção, com a cabeça levemente inclinada para frente como se procurasse certificar-se de que era realmente eu que estava ali.
Parou junto à cama e sentou-se na borda. Com o olhar ainda fixo no meu, um suave sorriso emergiu de seu rosto até então sério. (Acho que no meu também)
Parecia uma visão. Ali estava ela, exatamente como há quinze anos atrás. Linda! Minha primeira namorada, minha única paixão...
Exclamamos juntos;
- MAIA - CANDICE!
- O QUE VOCÊ TA FAZENDO AQUI?
Bom, o que rolou depois não é muito difícil de imaginar.

Candice dividiu a grana com a Margô.
Ela acabou ficando na Austrália quando seguimos com o veleiro para a nossa primeira volta ao mundo. Perdemos o contato. Acho que ela ainda tinha expectativas em relação à Candice. Sei lá.

De tempos em tempos quando passamos por Wavetoon, retornamos a ilhota pra matar a saudade da direita da Ponta Sul. Até reformamos a casinha.
Agora mesmo eu estou aqui, escrevendo esta história sentado na varanda e olhando para a última onda do dia. Uma parede perfeita azul turquesa, transpassada pela luz do poente e suavemente tocada pelo vento da terra vem rolando na minha direção. Nela está a Candice, deslizando suavemente com o pé no bico e um sorriso no rosto. Olho mais para a direita e o sol toca o horizonte tingindo tudo de vermelho. Giro a cabeça para a esquerda, e o meu fiel amigo Rato, entra no plano de visão, correndo e latindo atrás das gaivotas. Como sempre.
Sei o que você está pensando: Vida difícil!

Relembrando tudo isso, difícil mesmo foi tentar entender como o destino me colocou nesta situação. Fui assaltado por minha primeira namorada sem saber que era ela, fiquei numa tremenda roubada no meio do nada depois de estar curtindo um surf solitário e relaxante... E então? Então acabo milhonário, com a mulher dos meus sonhos e o resto da vida pela frente...
Vida difícil!

5 comentários:

Anônimo disse...

HAHAHA! o final não podia ser melhor, o cara levou a gata e a grana, isso é que é sorte!
No paraíso de frente pro mar, vidãão! haha

É isso aí, acompanhando essa história desde o ano passado.

Grande abraço pra George e Tora,

Thiago Dorta
http://xpressurf.wordpress.com

PS: quando vem o próximo livro? hehe!

MaiNe disse...

Irado!!
Parabéns!!
Forte Abraço!!
MaiNe
http://maineland.blogspot.com

Busaum Ot-tibia e Mu online disse...

otima historia continua assim

Cigano disse...

Olá! Grande história, grande final! Vida difícil! Sou fã do teu blog! Um abraço de Portugal

Thifacco disse...

Muito legal essa história! Difícil é não se ver vivendo a mesma situação! rsrs

Abraço

Tiago Facco
http://thifacco.com