Essa aí tiramos agora à tarde e estou enviando pelo celular. Eu e a Raica chegando na ponta do Enforcado para pegar o fim de tarde e quem sabe passar o fim de semana acampados. Linhas perfeitas vocês não acham? Quer saber onde fica? Clica no mapa. Este lugar dá altas ondas, mas tem uma história sinistra. Há alguns anos atrás o Lambari e o Homero encontraram um pescador enforcado numa árvore na ponta do morro quando chegavam na praia, é uma história bem triste, e outra hora eu conto.29 fevereiro 2008
Ponta do Enforcado
Essa aí tiramos agora à tarde e estou enviando pelo celular. Eu e a Raica chegando na ponta do Enforcado para pegar o fim de tarde e quem sabe passar o fim de semana acampados. Linhas perfeitas vocês não acham? Quer saber onde fica? Clica no mapa. Este lugar dá altas ondas, mas tem uma história sinistra. Há alguns anos atrás o Lambari e o Homero encontraram um pescador enforcado numa árvore na ponta do morro quando chegavam na praia, é uma história bem triste, e outra hora eu conto.27 fevereiro 2008
CANDICE - capítulo 05

voltar ao capítulo 4 - Cara, se você não quiser levar um tiro, fica quietinho aí enquanto vamos embora!
- Não saia da barraca em menos de meia hora!
Falou com uma voz derretida e suave puxando para baixo o fecho da barraca e assim ia fechando a cena, enquanto eu, com o canto do olho, assistia Margô afastar-se com a minha outra prancha embaixo de um braço, e mais um monte de coisas no outro.
Ouvindo seus passos e suas vozes, percebi que elas iam na direção do mar. O silêncio voltou. Fiquei pensando de onde vieram ou o que faziam por ali. Durante uns dez minutos só ouvi os grilos e o barulho do mar. Nada delas.
– TRRRRRRRRRATATATATA!!! – um motor?? Parece o barulho de um motor, pensei.
Arrisquei. Arrastando-me até a porta da barraca, abri um pedacinho do fecho ainda em tempo de vê-las sumindo na escuridão do mar, em um bote inflável com motor de popa.
Uma delas ia iluminando o caminho com a minha lanterna. Saí pra rua e fiquei acompanhando o percurso do bote até o barulho cessar e a luz desaparecer. A lua tinha sumido atrás de umas nuvens pesadas. A escuridão tomou conta de tudo.
Da minha alma também.
- Não saia da barraca em menos de meia hora!
Falou com uma voz derretida e suave puxando para baixo o fecho da barraca e assim ia fechando a cena, enquanto eu, com o canto do olho, assistia Margô afastar-se com a minha outra prancha embaixo de um braço, e mais um monte de coisas no outro.
Ouvindo seus passos e suas vozes, percebi que elas iam na direção do mar. O silêncio voltou. Fiquei pensando de onde vieram ou o que faziam por ali. Durante uns dez minutos só ouvi os grilos e o barulho do mar. Nada delas.
– TRRRRRRRRRATATATATA!!! – um motor?? Parece o barulho de um motor, pensei.
Arrisquei. Arrastando-me até a porta da barraca, abri um pedacinho do fecho ainda em tempo de vê-las sumindo na escuridão do mar, em um bote inflável com motor de popa.
Uma delas ia iluminando o caminho com a minha lanterna. Saí pra rua e fiquei acompanhando o percurso do bote até o barulho cessar e a luz desaparecer. A lua tinha sumido atrás de umas nuvens pesadas. A escuridão tomou conta de tudo.
Da minha alma também.
Cara...fiquei bem deprimido! Resolvi fazer um levantamento das perdas, mas a escuridão era total. Neste momento, o clarão de um raio seguido uma trovoada fez o céu desabar numa chuva pesada, só me restava dormir. Entrei na barraca e desmaiei, não tinha mais nada a perder.
continua...
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25 fevereiro 2008
Segunda-feira maneira.
22 fevereiro 2008
ZEN+SURF. Monja Isshin chega em Wavetoon.
Chegou ontem a Wavetoon a Monja Isshin, uma grande propagadora do Soto Zen Budismo, para falar aos nativos da ilha sobre o Zen e a Meditação para surfistas. A visita da monja tem o objetivo de dar inicio a uma nova Sanga em Wavetoon e à futura formação de um Centro Zen na ilha. A monja fará varias palestras por aqui e nos ensinará a prática do zazen (meditação zen). A galera compareceu em peso para ouvir a simpática e carismática monja, que pela manhã surfou um mar clássico no pier, acompanhada por Raica, Kadu e Lambari, seus anfitriões na ilha. Durante a palestra ela falou das suas percepções sobre a arte de deslizar nas ondas e fez maravilhosas metáforas de como aprender com o surf, a andar no fluxo, a fluir na vida.Abaixo segue parte de seu depoimento.
“É uma maravilha sentir a força da água, a corrente levando a gente. É uma grande aprendizagem perceber a resistência no corpo, o medo de entregar-se - de deixar-se ser levado. No começo, agarrava a prancha com força total… Mas que maravilha a sensação de liberdade, ao relaxar o corpo e começar a tornar-me uno com a prancha e a água! E como é forte a descoberta que, soltando o corpo, entregando o peso para a prancha (e a água) é quando a gente passa a ter a maior estabilidade. Com maior estabilidade (o corpo solto e entregue), descobri que tinha mais espaço até para manobrar a prancha, exercendo o meu ‘livre arbítrio’, dentro da minha limitadíssima capacidade!Descobri que não precisava ter medo de cair na água - que a água me acolhia até com uma certa suavidade quando tombava da prancha (ou seja, toda vez que tentava ficar em pé nela…). Também ficou clara a necessidade de manter a plena atenção, pois era necessário cuidar para não cair de cabeça e arriscar batê-la no fundo do oceano - que, nestas alturas, estava bastante próximo… Também era importante proteger a cabeça na hora de voltar à superfície depois de cair na água - evitando o risco de batê-la na prancha.
E não é a mesma coisa com a vida? Quanta resistência fazemos! Como sofremos de medo de nos entregar, de nos deixar ser levados pela grande corrente da vida! Que batalha que é para aprender a nos soltar - soltar o espírito, soltar a mente, abrir mão da tentativa de controlar tudo - abrir mão da rigidez, das opiniões, da falsa segurança daquela ‘zona de conforto’, do conforto do conhecido e da familiaridade .
Mas foi somente ao relaxar o corpo que pude perceber que estava segura na mão da água. E é somente ao relaxar o ‘espírito’, como em zazen, onde abrimos mão dos pensamentos, que podemos perceber que estamos seguros na mão do sagrado - que somos parte integrante dessa mão - nunca fomos separados dela. E é justamente na hora em que conseguimos nos entregar ao sagrado, deixando que a grande correnteza da vida se manifeste, que ganhamos o espaço para exercitar o nosso livre arbítrio, manobrando as nossas ‘pranchas’, aproveitando o máximo que podemos da onda que nos leva até a ‘praia’.
Enquanto resistimos, tentando ir contra a correnteza, as ondas vão-nos esmagar, mas, ao soltarmos, podemos nos divertir bastante durante a nossa jornada - surfando as ondas da vida. Podemos descobrir que errar não precisa ser o fim do mundo - pois não somente estamos sendo carregados nas mãos do universo, somos uma parte integrante do próprio universo, inseperáveis.”
Para saber mais sobre a Monja Isshin clique em http://monjaisshin.wordpress.com/about/
20 fevereiro 2008
CANDICE - capítulo 04

voltar ao capítulo 03 Nos segundos em que eu pensava em Candice, senti-me a vontade para sair do saco de dormir. A outra Candice que me apontava o revólver ainda gargalhava, parecendo relaxada e deixando a situação, na minha opinião, mais informal digamos assim.
Mas ela não pensava da mesma maneira que eu.
- PARADO AÍ!! - O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? QUER MORRER CARA? EU NÃO TÔ BRINCANDO!
- TUDO BEM, TUDO BEM! Falei colocando as mãos para o alto instintivamente.
- VAI PRO FUNDO DA BARRACA E VIRA DE COSTAS! Eu quero dar uma olhada no que você tem de bom aí dentro.
-MARGÔÔÔ! CHEGA AÍ! Me cobre aqui, eu quero dar uma olhada lá dentro.
Agora mais perto, eu podia sentir seu calor, o movimento do seu corpo e o cheiro maravilhoso que vinha dela. Ahhh aquele perfume! Definitivamente não combinava com a situação. Com uma lanterna na mão e a arma encostada na minha cabeça, ela revirou tudo rapidamente, pegou minha mochila, algumas parafinas e o meu neoprene e acabou com toda e qualquer fantasia que eu pudesse alimentar, tendo duas garotas naquele fim de mundo dentro da minha barraca. continua...
- PARADO AÍ!! - O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? QUER MORRER CARA? EU NÃO TÔ BRINCANDO!
- TUDO BEM, TUDO BEM! Falei colocando as mãos para o alto instintivamente.
- VAI PRO FUNDO DA BARRACA E VIRA DE COSTAS! Eu quero dar uma olhada no que você tem de bom aí dentro.
-MARGÔÔÔ! CHEGA AÍ! Me cobre aqui, eu quero dar uma olhada lá dentro.
Agora mais perto, eu podia sentir seu calor, o movimento do seu corpo e o cheiro maravilhoso que vinha dela. Ahhh aquele perfume! Definitivamente não combinava com a situação. Com uma lanterna na mão e a arma encostada na minha cabeça, ela revirou tudo rapidamente, pegou minha mochila, algumas parafinas e o meu neoprene e acabou com toda e qualquer fantasia que eu pudesse alimentar, tendo duas garotas naquele fim de mundo dentro da minha barraca. continua...
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18 fevereiro 2008
Segunda-feira maneira.

"Há muitas pessoas que surfam, mas isso não faz delas surfistas.
Surfistas de verdade têm almas antigas, sentem o ritmo do oceano nos seus sonhos, quando fazem amor, ou mesmo no meio de uma reunião de negócios...
Sentem profundamente o ritmo do oceano dentro de suas almas."
Bear Woznick (surfista, waterman, pirata)
15 fevereiro 2008
Finalmente

Depois de vários dias de flat na ilha, entrou um ótimo swell.
El Faro clássico e com ótimo tamanho hoje pela manhã.
Don Vito e Marianinha foram os primeiros
na água. O fim de semana está garantido. Boas ondas.
Don Vito e Marianinha foram os primeiros
na água. O fim de semana está garantido. Boas ondas.
13 fevereiro 2008
CANDICE - capítulo 3
voltar ao capítulo 2 A “outra”, levantou-se deu dois passos para trás e pisou bem em cima de uma das quilhas da minha Al Merick novinha. CRAAACK! Eu havia deixado bem na frente da barraca quando saí do mar à tardinha. Ela perdeu o equilíbrio e pateticamente caiu em cima da prancha amassando todo o fundo.
- Fodeu! Falei pra mim, pensando já no estrago que ela havia feito.
– QUEM É QUE DEIXOU ESTA MERDA AQUI!
A garota que apontava a arma para mim, agora gargalhava olhando para a outra que tentava se levantar. Tive que me conter pra não levar um tiro.
- Qual é Margô? - Como é que o cara ia adivinhar que teria visita neste fim de mundo? E que a visita é....meio descuidada! QUÁQUÁQUÁQUÁQUÁ!!!
- TE LIGA CANDICE! PRESTA ATENÇÃO NO CARA!
Candice. Adoro este nome! Me remete a grandes recordações. Dor também. Candice foi a primeira e única garota que eu realmente me amarrei, depois dela tive apenas casos. Nos conhecemos na escola, eu tinha 16 ela 14, era linda. Fizemos planos de passar o resto da vida juntos, mas... o pai dela não gostava de surfistas.
continua...
- Fodeu! Falei pra mim, pensando já no estrago que ela havia feito.
– QUEM É QUE DEIXOU ESTA MERDA AQUI!
A garota que apontava a arma para mim, agora gargalhava olhando para a outra que tentava se levantar. Tive que me conter pra não levar um tiro.
- Qual é Margô? - Como é que o cara ia adivinhar que teria visita neste fim de mundo? E que a visita é....meio descuidada! QUÁQUÁQUÁQUÁQUÁ!!!
- TE LIGA CANDICE! PRESTA ATENÇÃO NO CARA!
Candice. Adoro este nome! Me remete a grandes recordações. Dor também. Candice foi a primeira e única garota que eu realmente me amarrei, depois dela tive apenas casos. Nos conhecemos na escola, eu tinha 16 ela 14, era linda. Fizemos planos de passar o resto da vida juntos, mas... o pai dela não gostava de surfistas.
continua...
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11 fevereiro 2008
08 fevereiro 2008
06 fevereiro 2008
CANDICE - capítulo 2
voltar ao capítulo 01 - FICA QUIETO SENÃO EU TE APAGO!
Ela falou sem alterar voz e então minhas suposições se confirmaram; sim, era uma garota, cheirava bem e tinha uma voz doce. Só faltava ver o seu rosto. Ouvi alguém se aproximando da barraca pelas minhas costas, uma sensação de animal acuado invadiu meu âmago. Adrenalina. Cheiro de mar, perfume, medo. O que pareciam dois pés arrastando chinelos na areia, pararam bem atrás da minha cabeça. Silêncio. A brisa fria que vinha do mar, entrava pela porta da tenda e fazia meu neoprene pendurado na cumeeira balançar e bater na lona. Silêncio. Meus olhos fixos na silhueta da moça apontando a arma. Tensão. Pude ouvir uma onda quebrando lá fora, imaginei uma direita perfeita. Adrenalina. Cheiro de mar, perfume, medo, surf.
- Não achei nada! Uma outra voz feminina falou. A voz dos chinelos, pensei.
- Pede para ele as chaves do carro!
- ESCUTOU? AS CHAVES DO CARRO! PASSA AÍ.
Comecei novamente a me debater pra tentar sair do saco de dormir e ela me alertou carinhosamente: - COM CUIDADO SENÃO EU TE APAGO!
Joguei as chaves para ela com cuidado. Tentei dizer alguma coisa pra não parecer um otário. – CALA A BOCA SENÃO EU TE APAGO! Um otário. Era assim que eu me sentia sendo assaltado por duas mulheres que tinham quase a metade do meu tamanho. A outra, agora estava de cócoras ao lado da que me apontava a arma e as duas me olhavam. – ONDE ESTÁ A COMIDA? Falou a dos chinelos. Tinha uma voz tão doce quanto a primeira. Otário, me senti. Gaguejei alguma coisa tipo:
- na..na..não tenho muita comida!
- ONDE ESTÁ A COMIDA?
- No carro..ali embaixo hãn... Entreguei.
...continua
Ela falou sem alterar voz e então minhas suposições se confirmaram; sim, era uma garota, cheirava bem e tinha uma voz doce. Só faltava ver o seu rosto. Ouvi alguém se aproximando da barraca pelas minhas costas, uma sensação de animal acuado invadiu meu âmago. Adrenalina. Cheiro de mar, perfume, medo. O que pareciam dois pés arrastando chinelos na areia, pararam bem atrás da minha cabeça. Silêncio. A brisa fria que vinha do mar, entrava pela porta da tenda e fazia meu neoprene pendurado na cumeeira balançar e bater na lona. Silêncio. Meus olhos fixos na silhueta da moça apontando a arma. Tensão. Pude ouvir uma onda quebrando lá fora, imaginei uma direita perfeita. Adrenalina. Cheiro de mar, perfume, medo, surf.
- Não achei nada! Uma outra voz feminina falou. A voz dos chinelos, pensei.
- Pede para ele as chaves do carro!
- ESCUTOU? AS CHAVES DO CARRO! PASSA AÍ.
Comecei novamente a me debater pra tentar sair do saco de dormir e ela me alertou carinhosamente: - COM CUIDADO SENÃO EU TE APAGO!
Joguei as chaves para ela com cuidado. Tentei dizer alguma coisa pra não parecer um otário. – CALA A BOCA SENÃO EU TE APAGO! Um otário. Era assim que eu me sentia sendo assaltado por duas mulheres que tinham quase a metade do meu tamanho. A outra, agora estava de cócoras ao lado da que me apontava a arma e as duas me olhavam. – ONDE ESTÁ A COMIDA? Falou a dos chinelos. Tinha uma voz tão doce quanto a primeira. Otário, me senti. Gaguejei alguma coisa tipo:
- na..na..não tenho muita comida!
- ONDE ESTÁ A COMIDA?
- No carro..ali embaixo hãn... Entreguei.
...continua
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04 fevereiro 2008
01 fevereiro 2008
Luau em El Faro
El Faro acordou ontem de aniversário e o pessoal se reuniu para festejar os 49 anos da descoberta do pico por Don Vito, Tuco e Lobo.Parecendo saber o que a data significava, o lugar quebrou de “gala”, fazendo a festa iniciar ainda na madrugada e se prolongar durante o dia. Os legends Don Vito e Tuco, amarradões estavam totalmente emocionados com o evento e passaram à tarde na água mostrando como surfar aquelas ondas com classe e maturidade. À noite a balada foi na beira da praia de El Faro, com a galera em volta da fogueira num clima de comemoração e festa como todos os anos acontecem.
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